"Fui várias vezes na casa da Sophie após a briga, tentava pedir desculpas, levar presentes e cartões. Com certeza nada adiantaria naquela hora. Ela estava totalmente vulnerável, mas estava firme, não cedia nenhum espaço, seus minutos. Estava cansado, triste, e sem solução. Matheus havia me convidado para a sua festa e naquele dia resolvi ir. Escolhi a minha pior roupa, meu pior perfume, não tinha vontade de me arrumar. Fui do jeito que eu costumava ficar em casa.
Todos me repararam. Todos. Cochichavam, algumas meninas sorriam, alguns olhavam surpresos. Mas todos repararam em mim. Eu estava totalmente horrível, mas uma coisa me surpreendeu: grupos de meninas ao meu redor perguntando-me se eu havia terminado com a Sophie e insinuando coisas.
- Sabe Dan, você daria certo comigo, e não com aquela feia da Sophie. - Fernanda sussurrava em meu ouvido.
- Nós não terminamos Fernanda.
- Não é o que parece. - Apontou para o outro lado do grande salão da casa de Matheus.
Eu não conseguia acreditar em meus próprios olhos. Meus coração batia junto a melodia da minha surpresa. Sophie estava de preto, maquiagem preta, vestido preto, sapato preto, cabelos pretos, luvas pretas, apenas a sua boca vermelha lhe trazia o diferencial naquele novo modo que ela se vestia. Sophie estava extremamente provocante, ela estava totalmente linda e... com vários garotos ao seu lado. Todos não reconheciam a Sophie, "Você é nova por aqui?", todos sem exceção perguntavam, e quando ela dizia que era a Sophie Taylor, ninguém conseguia acreditar. Ela estava diferente, completamente diferente, ela estava bonita, mas é o que eu sempre achei dela.
- Vocês ainda estão juntos? - Fernanda insistia.
- Com licença. - Levantei-me da poltrona que eu estava sentado, ouvindo um som de reprovação de Fernanda e as suas fiéis companheiras. Eu queria a Sophie, eu queria pedir desculpas. De novo. Segui ate ela sem reparar nas pessoas ao meu redor que me encaravam como se eu fosse algo totalmente fora do comum. E quando cheguei perto de Sophie ela olhou no fundo dos meus olhos. "Estou perdoado?" pensei comigo mesmo, os olhos cheio de ternura ainda me encaravam.
- O que você quer Daniel? - Disse com uma voz trêmula, mas que ganhou firmeza quando disse o meu nome.
- Eu quero você. - Agora todos do salão olhavam para nós.
- Você adora chamar atenção não é? Eu descobri que eu também gosto. - Olhou-me com malícia e depois encarou a sua roupa. - Eu vivi me escondendo atrás de você, com medo, e você nunca me ajudou a superar isso, você só tentou me deixar com mais. Mas sabe Daniel, eu nunca tive medo, eu só tinha insegurança, por você. Mas você nunca mereceu.
- Sophie, olha, eu não quis ter feito aquilo ok? Podemos melhorar agora em diante. Eu juro.
- Tantas promessas para nada, sempre foi assim. Tudo bem Daniel, quero me divertir, e eu aconselho você a fazer isso também. - Piscou e juntou-se aos caras que antes estavam rodeando Sophie.
Sim, eu estava destruído. Virei-me e comecei a beber desesperadamente, tudo o que eu via, absolutamente tudo. Fernanda vendo o meu fracasso, sentou-se no meu colo e começou a beijar o meu queixo, pescoço, testa, bochecha. Eu estava fraco, e totalmente fora de si, e então fiz a minha maior idiotice: Beijei Fernanda ferozmente na frente de todos, e estes gritavam e apoiavam. Eu estava completamente bêbado e eu não sabia o que eu estava fazendo: se eu estava beijando a garota ou estava bebendo. Mas uma coisa eu consegui visualizar naquele momento de loucura: Sophie desaprovando-me com o olhar triste. E foi nessa hora que dois rapazes pegaram Sophie a força tentando leva-la para algum lugar. Consegui ficar sóbrio por um momento correndo atrás daqueles dois idiotas. Mas eu estava bêbado mesmo conseguido correr atrás deles. Acertei um golpe no rosto de um dos dois, e depois disso levei milhões. Não consegui lembrar mais de nada, só pedi para que Sophie corresse, fugisse. Ela gritava por ajuda e depois sumiu na escuridão. Vieram outros rapazes, eu só não sabia se era ajuda ou mais inimigos"