terça-feira, 22 de junho de 2010

07. Agradecimentos

- Mente para mim que nada aconteceu com você... por favor. - Sophie dizia bem baixinho olhando pra a tela do seu celular. - Essa mensagem não é sua, tenho certeza, mas eu quero acreditar que é! - Olhei para a tela: "Sophie, estou ótimo. Brigado por ter me deixado quando eu mais precisava. Não me machuquei, os caras queriam você e não eu, então estou ótimo. Até nunca mais." -Responda as minhas mensagens Daniel. Diga de novo que está bem, liga pra dizer que está bem. Diga você mesmo que nada aconteceu com você naquela noite! Prefiro eu ficar sem você em vez do mundo ficar sem a sua presença. É sério. Eu ainda não acredito que eu te deixei com aqueles caras, te batendo, quando você tentou me salvar! Eu não pedi ajuda nem nada, fui uma idiota e corri para a minha casa. Me arrependo tanto, eu juro. Eu sou uma babaca, estou falando sozinha. - Respirou fundo.
É, realmente aquela mensagem não era minha, e eu não estava ótimo de verdade. Eu estava morrendo! Eu não sabia nem aonde o meu corpo estava. Não lembro do rio que fui jogado, não lembro da pessoa que me agrediu, não lembro quase de nada. Eles não queriam a Sophie, foi uma armadilha para eles me pegarem, eu queria dizer á ela que não era nada com ela. Não queria que estivesse arrependida e culpada. Eu sentia cada vez menos o meu corpo. Eu iria morrer com certeza, mas eu precisava dizer algumas coisas que eu não disse a Sophie, eu sou tão jovem, eu tinha tanta coisa para fazer.

Minha mãe e meu pai nunca ligaram para mim, na verdade. Neste momento eles devem estar numa reunião de negócios, eles nem sabem do meu sumiço. Ninguém notou até agora. Apenas Sophie. Essa é uma das "vantagens" de ser popular: as pessoas só lhe dão valor quando você está lá na escola, com a turminha legal, com o carro importado, com a melhor roupa. Mas quando você não presta para nada, como agora, você é esquecido. Eu só queria agradecer essas pessoas, e aos meus pais, que sempre estiveram ao meu lado, e principalmente agora por ter me deixado nesta tão agradável situação que permaneço. Obrigado.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

06.Desespero

"Acordei totalmente assustado em um lugar escuro, uma pequena camada de luz iluminava o local completamente assustador. Tentei me levantar, mas vi que eu estava preso pelo pescoço. Bateu um desespero. Não sabia o que estava acontecendo comigo naquela hora. Não lembrava quase de nada do dia anterior, apenas que tentei salvar Sophie e acabei sendo o idiota.
- O que vamos fazer com ele? - Uma voz escureceu ainda mais aquele quarto.
- Não sei, ele está muito machucado. Ele está morto? - Perguntava. Referia-se a mim.
- Não sei. O que a gente fez cara? - A voz estava trêmula.
- Calma, vamos dar um jeito.
- Eu estava bêbado, eu não queria ter feito isso. - Parecia bastante nervoso.
- Você vai desistir? - O outro perguntou firmemente.
Fiquei imóvel, o que eu faria agora? Tentei não fazer barulho. Sentia pontadas de dor em todo o meu corpo. O que eles fariam comigo? Quando eles aproximaram, fingi estar morto.
- Ele parece estar morto. Vamos ter que pegar outra pessoa.
- Não quero mais fazer isso. - Disse nervoso. O outro suspirou.
- Tudo bem, vai embora então. Não conta pra ninguém. Você sabe do que sou capaz.
Escutei passos velozes caminhando para a talvez saída daquele lugar monstruoso.
- E agora? Eu só precisava de um pouco de dinheiro filhinho de papai! E ainda você morre, inútil! - Gritava. Deduzi que aquilo era um sequestro. - Agora nem sei o que vou fazer com você. Tudo bem.
Soltou a corrente que me prendia e com a mesma corrente prendeu os meus pés e assim me arrastou para fora daquela pequena casinha. As minhas costas doiam, os meus braços ardiam. Vi que estávamos no meio de uma floresta. As pedras cortavam-me sem dó, e aquele homem continuava a me arrastar. Não conseguia vê-lo perfeitamente, mas eu tinha a impressão de que eu o conhecia. Quando chegamos perto da margem do rio, ele soltou as pesadas correntes e resmungou algo e depois, me empurrou para o rio."

segunda-feira, 14 de junho de 2010

05.Perigo

"Fui várias vezes na casa da Sophie após a briga, tentava pedir desculpas, levar presentes e cartões. Com certeza nada adiantaria naquela hora. Ela estava totalmente vulnerável, mas estava firme, não cedia nenhum espaço, seus minutos.
Estava cansado, triste, e sem solução. Matheus havia me convidado para a sua festa e naquele dia resolvi ir. Escolhi a minha pior roupa, meu pior perfume, não tinha vontade de me arrumar. Fui do jeito que eu costumava ficar em casa.
Todos me repararam. Todos. Cochichavam, algumas meninas sorriam, alguns olhavam surpresos. Mas todos repararam em mim. Eu estava totalmente horrível, mas uma coisa me surpreendeu: grupos de meninas ao meu redor perguntando-me se eu havia terminado com a Sophie e insinuando coisas.
- Sabe Dan, você daria certo comigo, e não com aquela feia da Sophie. - Fernanda sussurrava em meu ouvido.
- Nós não terminamos Fernanda.
- Não é o que parece. - Apontou para o outro lado do grande salão da casa de Matheus.
Eu não conseguia acreditar em meus próprios olhos. Meus coração batia junto a melodia da minha surpresa. Sophie estava de preto, maquiagem preta, vestido preto, sapato preto, cabelos pretos, luvas pretas, apenas a sua boca vermelha lhe trazia o diferencial naquele novo modo que ela se vestia. Sophie estava extremamente provocante, ela estava totalmente linda e... com vários garotos ao seu lado. Todos não reconheciam a Sophie, "Você é nova por aqui?", todos sem exceção perguntavam, e quando ela dizia que era a Sophie Taylor, ninguém conseguia acreditar. Ela estava diferente, completamente diferente, ela estava bonita, mas é o que eu sempre achei dela.
- Vocês ainda estão juntos? - Fernanda insistia.
- Com licença. - Levantei-me da poltrona que eu estava sentado, ouvindo um som de reprovação de Fernanda e as suas fiéis companheiras. Eu queria a Sophie, eu queria pedir desculpas. De novo. Segui ate ela sem reparar nas pessoas ao meu redor que me encaravam como se eu fosse algo totalmente fora do comum. E quando cheguei perto de Sophie ela olhou no fundo dos meus olhos. "Estou perdoado?" pensei comigo mesmo, os olhos cheio de ternura ainda me encaravam.
- O que você quer Daniel? - Disse com uma voz trêmula, mas que ganhou firmeza quando disse o meu nome.
- Eu quero você. - Agora todos do salão olhavam para nós.
- Você adora chamar atenção não é? Eu descobri que eu também gosto. - Olhou-me com malícia e depois encarou a sua roupa. - Eu vivi me escondendo atrás de você, com medo, e você nunca me ajudou a superar isso, você só tentou me deixar com mais. Mas sabe Daniel, eu nunca tive medo, eu só tinha insegurança, por você. Mas você nunca mereceu.
- Sophie, olha, eu não quis ter feito aquilo ok? Podemos melhorar agora em diante. Eu juro.
- Tantas promessas para nada, sempre foi assim. Tudo bem Daniel, quero me divertir, e eu aconselho você a fazer isso também. - Piscou e juntou-se aos caras que antes estavam rodeando Sophie.
Sim, eu estava destruído. Virei-me e comecei a beber desesperadamente, tudo o que eu via, absolutamente tudo. Fernanda vendo o meu fracasso, sentou-se no meu colo e começou a beijar o meu queixo, pescoço, testa, bochecha. Eu estava fraco, e totalmente fora de si, e então fiz a minha maior idiotice: Beijei Fernanda ferozmente na frente de todos, e estes gritavam e apoiavam. Eu estava completamente bêbado e eu não sabia o que eu estava fazendo: se eu estava beijando a garota ou estava bebendo. Mas uma coisa eu consegui visualizar naquele momento de loucura: Sophie desaprovando-me com o olhar triste. E foi nessa hora que dois rapazes pegaram Sophie a força tentando leva-la para algum lugar. Consegui ficar sóbrio por um momento correndo atrás daqueles dois idiotas. Mas eu estava bêbado mesmo conseguido correr atrás deles. Acertei um golpe no rosto de um dos dois, e depois disso levei milhões. Não consegui lembrar mais de nada, só pedi para que Sophie corresse, fugisse. Ela gritava por ajuda e depois sumiu na escuridão. Vieram outros rapazes, eu só não sabia se era ajuda ou mais inimigos"

04.Arrependimento

Eu estava sentado ao lado de Sophie enquanto ela pegava no sono. Tentava acaricia-la mas a minha mão passava por ela, como seu eu fosse um vento, pior que um vento, eu conseguia atravessa-la. Os lindos olhos dela estavam agora inchados de tanto chorar. Arrependia-me por ter brigado com ela, justo no dia do aniversário dela. Eu me sentia totalmente culpado e desesperado, eu estava morrendo e ela estava ali, dormindo, nem sabia o que tinha acontecido comigo.
"- Odeio você Daniel, odeio você! - Sophie batia com força no meu peito.
- Pára Sophie! Você está passando dos limites! - Tentava segurar os pulsos dela. - Vamos conversar!
- Conversar Daniel? Conversar? Você nunca quis conversar sobre nada! Tudo o que você sempre quis foi... foi me machucar. - Sussurrou as últimas palavras.
Senti um arrepio passando pelo meu corpo. Aquelas palavras tocaram-me como se fosse um golpe. Senti a pior pessoa do mundo. Mas em vez de me desculpar, virei e sai de perto dela.
- Tudo o que você sempre faz é virar, sair e não dizer mais nada! - Vi uma lágrima escorrendo pelo pequeno rosto da minha namorada.
- Tudo o que você sempre faz é me trair. - Gritei um pouco alto.
Ela olhou para baixo tentou falar algo, mas a sua voz não saiu, eu sabia que no fundo ela sentia por isso. Eu era péssimo, fazia tanto tempo.
- Mas a gente não estava juntos na época Daniel. Você sabe disso, eu não traí. Então pára de jogar isso contra mim.
- Olha Sophie, desculpa. Vamos fazer as pazes. - Tentava ficar mais perto dela. Encostei a minha testa na sua, e depositei um pequeno beijo na sua boca. Tão pequena. Mas por fração de segundo perdi o controle, agarrando grotescamente tentando tirar a sua roupa. Ela gritava para eu parar, mas eu não estava em mim, não conseguia parar. Ate ela me empurrar com uma pequena força. A soltei tentando entender o que havia acontecido.
- Desculpa, eu...
- Você nunca pensou em mim, a diversão pra você é mais importando do que a mim, não é mesmo? Então se você quer carnaval, vá para um bordel, porque eu quero terminar. - Virou e saiu da minha casa, quando ela abriu o portão, olhou para mim novamente. - Te odeio. - E saiu."

domingo, 6 de junho de 2010

03.Ajuda

Eu só queria dizer que eu a amava sim, mas eu não conseguia me ver mais. Eu estava sumindo, tentei toca-la. Sophie... Ela continuava a chorar. Eu queria dizer a ela onde eu estava, como eu estava, então entrei em desespero, dei conta de que, quem precisava de ajuda era eu. Eu tinha morrido? Ainda não, mas eu estava. Sophie me ajuda. Eu agora era apenas um vulto, um suspiro, uma brisa. Eu precisava urgentemente de ajuda. Ela levantou, enxugou suas lágrimas, saiu para refrescar a sua cabeça, acompanhei. Ela andava sem rumo, eu gritava por ajuda, sem sucesso. Foi quando ela pegou o celular e tentou ligar para mim. -Droga Daniel. Eu só queria uma ajuda. - Olhei para ela, eu também precisava dela. Ela andou mais um pouco, vi que ela estava caminhando para a minha casa. Tocou a campainha. -Daniel por favor me atende. - Sussurrava. Eu queria dizer que eu estava ao seu lado. -Daniel, eu não queria ter feito aquilo, eu não queria ter brigado, eu quero me desculpar. Briguei com a minha mãe, estou totalmente sem rumo, por favor só quero que diga que está tudo bem... - Falava com a testa encostada no portão da minha casa. Eu apoiava a minha mão no ombro dela, pelo menos tentava. Sophie me ajuda...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

02.Tristeza

Ela estava errada. Não foi a sua última lágrima. Teve vários outros depois, e ela chorou por não ter uma vida melhor. Mas também conseguia ver que tinha momentos piores. Eu queria ajuda-la, abraça-la, mas eu não podia, as minhas mãos podiam mais tocar nada. Arrependo-me por não ter sido melhor, e ela certamente chora porque é uma pessoa melhor, mas que no momento não havia razão nenhum. Não porque ela não tinha, mas sim porque naquela hora não podia. Não queria mais viver, pois nada na sua vida tinha dado certo até agora. Eu sei que ela terá um vida brilhante, queria dizer á ela para não desistir de tudo, mas eu não conseguia. Porque agora, a minha voz não saia.

01.Apresentação

Olhava para o céu pela janela de seu quarto. O céu já estava bastante escurecido mas com o resto do raio de sol que se destacava na paisagem. Sentia-se totalmente fraca para levantar da cama, enxugava as últimas lágrimas do dia. Bom, pelo menos esperava que fosse. As pessoas tendem a decepcionar os outros com freqüência, mesmo quando querem ajudar. Mas ninguém pega na sua mão e lhe dá o rumo certo, apenas dizem que está tudo bem ou que irá ficar bem. Para todos é uma questão de tempo, mas para ela apenas o dia passava rápido, porque, o tempo vivia parado. Eu apenas a observava cauteloso, as vezes com dó, com medo de machucá-la de novo. Queria que ela tivesse uma chance, mas eu tinha a certeza que ela não iria conseguir aproveitá-la. De novo. Sentia-me como se fosse um vulto, e de verdade, eu era.