- O que vamos fazer com ele? - Uma voz escureceu ainda mais aquele quarto.
- Não sei, ele está muito machucado. Ele está morto? - Perguntava. Referia-se a mim.
- Não sei. O que a gente fez cara? - A voz estava trêmula.
- Calma, vamos dar um jeito.
- Eu estava bêbado, eu não queria ter feito isso. - Parecia bastante nervoso.
- Você vai desistir? - O outro perguntou firmemente.
Fiquei imóvel, o que eu faria agora? Tentei não fazer barulho. Sentia pontadas de dor em todo o meu corpo. O que eles fariam comigo? Quando eles aproximaram, fingi estar morto.
- Ele parece estar morto. Vamos ter que pegar outra pessoa.
- Não quero mais fazer isso. - Disse nervoso. O outro suspirou.
- Tudo bem, vai embora então. Não conta pra ninguém. Você sabe do que sou capaz.
Escutei passos velozes caminhando para a talvez saída daquele lugar monstruoso.
- E agora? Eu só precisava de um pouco de dinheiro filhinho de papai! E ainda você morre, inútil! - Gritava. Deduzi que aquilo era um sequestro. - Agora nem sei o que vou fazer com você. Tudo bem.
Soltou a corrente que me prendia e com a mesma corrente prendeu os meus pés e assim me arrastou para fora daquela pequena casinha. As minhas costas doiam, os meus braços ardiam. Vi que estávamos no meio de uma floresta. As pedras cortavam-me sem dó, e aquele homem continuava a me arrastar. Não conseguia vê-lo perfeitamente, mas eu tinha a impressão de que eu o conhecia. Quando chegamos perto da margem do rio, ele soltou as pesadas correntes e resmungou algo e depois, me empurrou para o rio."
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